A História

Oitenta e dois anos de Sindicalismo e Desenvolvimento Empresarial.

No início da década de 20, na cidade do Rio de Janeiro, emigrantes portugueses começaram a montar pequenos estabelecimentos de marcenaria e de carpintaria que, no curso dos anos seguintes, iria dar origem a uma próspera atividade industrial da madeira.
Finda a Primeira República, em 1930, não só Getúlio Vargas chegou para tomar posse no Governo, mas também chegavam as novas ideias de cunho social, vindas da Europa, e que já desde os primórdios do Governo Arthur Bernardes se fazia sentir com a Semana de Arte Moderna em São Paulo e mais especificamente, com a promulgação em 1923 da Lei Eloy Chaves que inicia, no Brasil o ciclo da Previdência Social.
 
Os novos tempos, então iniciados, não encontraram desprevenidos com o futuro, aqueles emigrantes portugueses - já então incorporados ao espírito de brasilidade - aos quais se viriam juntar, pouco mais tarde emigrantes de origem judaica que, juntos, iriam construir as bases do desenvolvimento empresarial da madeira.
 
As pequenas oficinas iniciais, começaram a transformar-se em fábricas, espalhando-se, algumas, pelos subúrbios do então Capital Federal, mantendo-se no centro da cidade um núcleo inicial que iria dar origem a nossa Casa.
Esse núcleo que se manteve no centro da cidade, espalhava-se do Campo de Santana, junto ao Corpo de Bombeiros e pelas ruas Frei Caneca e Salvador de Sá até a Cidade Nova de um lado, e do lado oposto, desde a Saúde até o final da rua General Pedra, fixando-se principalmente nas proximidades da Praça Onze.
 
Foi aí que tais obreiros da madeira, cientes da sua responsabilidade futura, em 1932, a 82(oitenta e dois) anos atrás, criaram a UNIÃO DOS PROPRIETÁRIOS DE MARCENARIA, com o objetivo primordial de desenvolver a indústria na então Cidade Maravilhosa.
 
A novel sociedade de empresários, consciente das suas responsabilidades com o desenvolvimento das empresas e com a proteção do trabalhador prontamente sentiu a necessidade de criar uma Cooperativa Contra Acidentes do Trabalho e um Sindicato empresarial, o que ocorreu em 08 de maio de 1934 conforme decisão DRT - 4721/34, com o nome de Sindicato Profissional dos Empregadores emitida a carta sindical definitiva através do processo TDR 69388 de 1934, consolidando em definitivo o nome SINDICATO DA INDÚSTRIA DA MARCENARIA DO RIO DE JANEIRO.
 
Assim, vemos que nossa Casa é a mais antiga entidade sindical que uniu, no Brasil, os empresários da madeira.
Entre os fundadores da União dos Proprietários - que pertenciam ao núcleo estabelecido no centro da cidade - cumpre destacar Albino de Barros, seu primeiro presidente, Manoel de Almeida Mattos - benemérito incentivador da Cooperativa e do Sindicato - Eduardo Freire, Antônio Monteiro, Antônio Palermo, Leopoldo Ferreira e Manoel Maria Alves, que figurava como o primeiro sócio do sindicato.
No núcleo que veio a se estabelecer nos subúrbios da cidade ou para lá se transferiram, Adelino Ferreira , hoje Fábrica de Móveis Rio D'Ouro, que foi o primeiro industrial a produzir moveis em Série no Rio de Janeiro, acompanhados pelos Irmãos Lamas, Móveis Soeiro, os irmãos Macieira aos quais, posteriormente vieram a se juntar os industriais de origem judaica como os Brunchport, os Uderman, os Lockiec, os Richard Klein, entre outros que por décadas ou, até hoje, continuam a engrandecer nossa entidade sindical aos quais, já em épocas mais recentes, vieram a integrar esta Casa.
 
Ainda na década de trinta, o nosso sindicato e a cooperativa se estabeleceram na Av. Henrique Valladares 149, onde permaneceu até início da década de 60, quando se transferiu para a sede própria adquirida pela Cooperativa de Seguros Contra Acidentes do Trabalho do Sindicato da Indústria da Marcenaria do Rio de Janeiro, na rua Irineu Marinho.
 
Ainda na década de trinta até o final da década de 70, foram vários lustros de desenvolvimento empresarial e sindical. Aos nomes já citados e outros vieram compor os quadros de nossa indústria e de nosso sindicato, novos empresários e suas empresas.
Consolidado o Sindicato e a Cooperativa - fundada esta com um capital inicial, ainda em 1932, de duzentos contos de reis - ainda no final da primeira década, Orlando de Almeida Mattos, filho de Manoel de Almeida Mattos, fundador de ambas as entidades, que presidia a Cooperativa, foi obrigado, face a vacância da presidência do sindicato, foi para ela eleito, sendo substituído na presidência da Cooperativa por Luiz Mellone Jr., sócio da Braford, empresa paulista que aqui também se estabelecia.
 
Pela confiança de seus pares Orlando de Almeida Mattos e Luiz Mellone Jr., deram amplo desenvolvimento as duas entidades, que se tornaram respeitadas no âmbito de suas atividades. Novas indústrias vieram a compor os quadros da cooperativa e do sindicato e muitos nomes surgidos ao correr do tempo - alguns ainda hoje presentes na vida sindical - não podem ser esquecidos pelas lutas empreendidas.
 
No período das décadas de quarenta a inicio de oitenta, quando os destinos da Cooperativa e do Sindicato estiveram sob a presidência de Luiz Mellone Jr. - até a extinção da Cooperativa,, por força da lei que passou para o INPS, recém criado, a carteira de seguros contra acidente do trabalho, em 1967 - e de Orlando de Almeida Mattos - que presidiu o Sindicato até 1982 - um nome não pode ser esquecido, pelos serviços que prestou desde 1932, ainda quando União dos Proprietários de Marcenarias: Octávio Lopes de Cruz.
 
Octávio Lopes da Cruz, ainda que não fosse fabricante de móveis, mas empregado de ambas as entidades, foi até 1964 - quando já participante, como minoritário, de uma tradicional empresa de móveis - Gerente do Sindicato, deixando esta função para representar com singular êxito nossa entidade sindical como Vogal perante a 13ª Junta de Conciliação e Julgamento do Rio de Janeiro, e Gerente da Cooperativa, até sua extinção em 1967.
 
Em 1982 depois de conduzir o Sindicato por exatos 40 anos, Orlando de Almeida Mattos, passou a presidência da Casa para Gil Grosman (Celina Indústria e Comércio do Mobiliário) que a exerceu até 1995, quando foi eleito Josef Herszenhaut (Favo) e que, em 1998, passou a presidência para Joaquim Gomes da Silva (Modern Closet), cujo mandato permanece até hoje(2014).
 
Nos últimos 20 anos, grande foi a transformação ocorrida. Aos três últimos presidentes, juntamente com suas diretorias, coube enfrentar os novos tempos, com todas as suas dificuldades.
 
Durante sua gestão, Gil Grosman comandou as reformas necessárias que culminaram com a fusão em 1985 com o sindicato que representava as carpintarias, tanoarias e serrarias do município, fusão esta aprovada em 11 de fevereiro de 1985, passando o Sindicato a denominar-se SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE MARCENARIAS, SERRARIAS, CARPINTARIAS, TANOARIAS, MADEIRAS COMPENSADAS E LAMINADAS, AGLOMERADOS E CHAPAS DE FIBRAS DE MADEIRAS NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO, e a obtenção de nossa sede social na Av. Franklin Roosevelt 194, sobre loja - sala 207 - Centro/RJ.
No período seguinte Josef Herszenhaut trabalhou no sentido de consolidar o trabalho realizado na gestão anterior, o que vem permitindo ao presidente atual, já em seu sexto mandato, dar novas diretrizes ao nosso Sindicato de forma a ajustá-lo as necessidades do novo século, prenuncio do novo milênio.
 
Visando ajustar o Sindicato as necessidades da categoria econômica a que pertence, o atual presidente Joaquim Gomes da Silva em seu primeiro mandato passou a participar intensamente dos trabalhos da FIRJAN, o que vem possibilitando a obtenção de vitórias memoráveis, inclusive em pleitos junto ao Governo Estadual.
 
Em dezembro de 2000, apoiando um pleito de associados que não se beneficiavam dos resultados da categoria, pois não abrangidos pela atuação da entidade, conseguimos através do processo 46000.007662/2001, homologado junto ao Ministério do trabalho, a extensão da abrangência da atividade sindical para podermos dar assistência legal aos empresários das indústrias de junco, vime, vassouras, escovas, pincéis, cortinas e estofos no município do Rio de Janeiro, passando a denominação de SINDICATO DAS INDÚSTRAS DE MÓVEIS DE MADEIRA, JUNCO E VIME, SERRARIAS, CARPINTARIAS, TANOARIAS, VASSOURAS, ESCOVAS E PINCÉIS, MADEIRAS COMPENSADAS E LAMINADAS, CORTINADOS E ESTOFADOS, AGLOMERADOS, CHAPAS DE FIBRA DE MADEIRA NO RIO DE JANEIRO.
 
Tais vitórias e novos empreendimentos, anima a todos nós, diretores e empresários, aos novos embates as novas lutas que, certamente, levarão esta Casa ao seu promissor destino.